O Homem Oculto

487670130_640

Tomando como ponto de partida a convergência do pensamento de Martin Heidegger, filósofo alemão, e Marshall McLuhan, teórico canadense, é possível entender o papel do homem frente à evolução tecnológica da imagem, sobretudo a partir do registro em mídias digitais. Enquanto o primeiro consagra a autonomia da técnica sobre a criação, o segundo disserta em relação à soberania do meio sobre a mensagem.

Essa dinâmica é fundamental na compreensão da relação homem/máquina, na medida em que a ilusão do controle pode levar ao ocultamento do ser. Nesse sentido, o homem ciente do poder da técnica, estaria assim ampliando sua experiência, deixando-se imergir em um desvelar do conhecimento. É como na metáfora do marinheiro de Edgar Allan Poe, presente no estudo de McLuhan, em que o homem permanece cego e inerte frente ao horror do remoinho em mar aberto, quando é justamente ao afastar o medo pelo desconhecido e ao aguçar a capacidade de observação, que somos capazes de encontrar caminhos produtivos para os novos desafios.

Adotando uma perspectiva positivista, é possível entender a inquietação gerada pela evolução tecnológica e pela ressignificação narrativa justamente pelo estado não domesticado da linguagem emergente, sobretudo no campo do audiovisual. A tecnologia amplia industrialmente as capacidades do homem ao mesmo tempo em que coloca em cheque o próprio conceito de humanidade.

Outra agitação provocada pela evolução da técnica está no caráter multissensorial das novas mídias, uma vez que a interação com o digital tem o poder de capturar de imediato os sentidos humanos, enquanto que nas outras mídias, como ao ler um livro, por exemplo, é facilmente possível demarcar as fronteiras sensoriais.

Por outro lado, o processo de digitalização, e junto com ele a pixelização da imagem, altera a temporalidade narrativa. Se com a materialidade da película era possível pensar em uma representação da realidade, agora passamos à simulação, que fragmentaria o tempo em sua velocidade de registro. Ignorar as implicações da natureza analógica/digital, tendo em vista o alargamento da fragmentação, do armazenamento e descarte, significa entregar-se ao turbilhão do remoinho e recusar a face produtiva da técnica.

Jean-Luc Godard, em Filme Socialismo (Film Socialisme – 2010), tensiona os limites da imagem digital, pontuando seu esgarçamento e sua efemeridade. Confira o trailer:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s