A evolução, venda e reprodutibilidade da fotografia

No ensaio “a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, o filósofo Walter Benjamin trata, de maneira concisa, as questões que envolvem os processos tecnológicos e suas repercussões dentre as artes.

Segundo Benjamin, as obras de arte nunca deixaram de ser objetos de reprodução. No entanto, a reprodução técnica de obras artísticas é um processo relativamente novo, já que, a partir da imprensa, as produções técnicas se tornaram cada vez mais frequentes, sendo ampliadas pela litografia e drasticamente através da fotografia.

No entanto, uma das problemáticas propostas pelo filósofo é a de que “o aqui e o agora” da obra de arte não se encontra presente na reprodução. Por ter mais autonomia que a manual, a reprodução técnica tende a colocar a cópia do original em situações onde o original não se aplicaria, já que o autêntico não preserva sua autoridade enquanto comparado à sua reprodução técnica.

Nas artes, Benjamin cita dois pólos no interior das obras de arte, sendo estes o valor de culto e o valor de exposição. Na fotografia, o valor de culto pode ser encontrado através da saudade e a aura da fotografia é simbolizada pela expressão de um rosto no retrato.

Deste modo, o valor de culto começa a recuar na fotografia, e nela, a arte encontrou na reprodução, seu ápice. A técnica, que cria imagens através da exposição luminosa de imagens e as fixando em uma superfície sensível, mudou consideravelmente a partir de sua primeira aparição, em 1826. Com a introdução da tecnologia digital, a imagem fotográfica submete-se à edição e tratamento de cores através de softwares como o Adobe Photoshop e Adobe Lightroom, além das múltiplas camadas que podem, em instantes, transformar a imagem e reproduzi-la de múltiplas formas.

primeira-fotografia

Primeira fotografia. Por Joseph Nicéphore Niepce

É possível compreender as diferenças existentes entre a primeira fotografia do mundo, realizada em maio de 1816 pelo francês Joseph Nicéphore Niepce, ao gravar uma imagem com a ajuda de uma caixa de madeira em uma folha de papel sensibilizado quimicamente. A foto, que era um registro fugaz se tornou, a partir de sua relevância publicitária e com os adventos de softwares, um recurso que, além de deixarem dúbias as questões sobre a aura artística, reproduzem em larga escala a produção fotográfica.

Queen Latifah como Ursula, do filme "A Pequena Sereia"

Queen Latifah como Ursula, do filme “A Pequena Sereia” para campanha publicitária da Disney World. Fotografia: Annie Leibovitz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s