Aura e memes: coexistência possível?

No ensaio “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” de 1936, Benjamin busca desenvolver uma teoria materialista da história da arte. O autor argumenta que a “aura” da obra de arte é apagada pela reprodutibilidade técnica. O objeto artístico perde seu valor de culto e ganha valor de exposição por conta de sua ampla reprodução propiciada pela tecnologia industrial vigente.

Benjamin aponta que a reprodução das obras de arte não é um fenômeno inédito, segundo ele, a imitação era antes praticada por discípulos, mestres e terceiros, porém com interesses distintos daquele visado pela indústria: o lucro. A reprodutibilidade técnica acaba por suprimir a “aura”, ou seja, o aqui e agora da obra, o objeto artístico autêntico, quando reproduzido perde sua autenticidade e autoridade diante das cópias.

A “ciber-cultura-remix” (Lemos, 2005) faz com que usuários e usuárias se transformem em produtores de conteúdos que são distribuídos e remixados rapidamente na internet. A cibercultura traz, pela primeira vez, a qualquer indivíduo a possibilidade de criar e publicar informações em tempo real, sob diversos formatos, podendo inclusive acionar demais usuários para criações colaborativas na rede.

A página Artes Depressão possui um grande acervo de remixagem de obras de arte, as imagens dos objetos artísticos são transformados em memes que rapidamente de disseminam pelas redes sociais. A partir de uma leitura benjaminiana podemos entender que os memes colaboram para a perda do valor de culto e ganho de valor de exposição das obras de arte.

artes

Se Benjamin se inquietava com a destruição da “aura” das obras de arte no início do século XX, cabe questionar: em tempos do uso do ciberespaço e softwares para a criação, disponibilização e remixagem de conteúdos é possível pensar em “aura”?

 

Referências:

BENJAMIN, W. A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica. In. Magia e Técnica, Arte e política. Obras escolhidas I. Trad. Rouanet S. P. São Paulo: Brasiliense, 198SD.

LEMOS, André. Cibercultura Remix. In: Seminário “Sentidos e Processos”. No prelo, São Paulo, Itaú Cultural, agosto de 2005.

Anúncios

Um comentário sobre “Aura e memes: coexistência possível?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s