Benjamin, a aura e os tempos modernos.

Outro importante filósofo alemão a discorrer sobre os processos tecnológicos e a forma como incidem sobre as obras de arte foi Walter Benjamin. O pensador escreveu “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica”, ensaio que até os dias de hoje é muito utilizado por pesquisadores das mais diversas áreas.

O texto em questão é valioso para analisarmos a proliferação de criações artísticas observada a partir do momento em que dispositivos tecnológicos foram sendo criados. Ao confrontar o processo artístico de uma pintura, por exemplo, com uma fotografia, Benjamin nos dá a ideia de como as ferramentas podem padronizar e massificar obras de arte.

Daí vem a visão de “aura”, que o autor emprega para mostrar como uma obra de arte, mesmo em tempos de reprodutibilidade técnica avançada, carece de um “algo mais”. Ao citar o termo “aura”, Benjamin invoca aspectos como originalidade, autenticidade e inacessibilidade para que possamos entender o que distinguiria uma obra de arte de sua cópia.

Embora Benjamin enxergue que a tecnologia moderna (aqui o autor tratava do cinema e da fotografia) seja responsável pela queda da aura da obra de arte, é possível pensarmos ligeiramente diferente se observarmos as tecnologias atuais. É a proposta do Festival Visualismo – Arte, tecnologia e cidade – ocorrido no Rio de Janeiro, nos dias 11 e 12 de setembro de 2015, idealizado e produzido por Renata Sbardelini e Letícia Monte, com curadoria de Lucas Bambozzi. Trata-se de obras audiovisuais reproduzidas na Praça Mauá, no Parque Madureira e na Central do Brasil. As projeções da Praça Mauá, por exemplo, ocorreram no MAR e no Edifício “A Noite”, dando a essas construções um aspecto completamente diferente daquele que as pessoas estão acostumadas a ver em seu cotidiano.

A ideia dos autores pode nos mostrar o que Benjamin chamava de aura na obra de arte. Isso porque as obras reproduzidas nos edifícios ganham um aspecto original e temporal, visto que dependem do olhar no exato momento em que são reproduzidas, já que não mais ficarão expostas.

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