Em busca da produtividade robótica

Para Benjamin (1935), Heidegger (1954) e McLuhan (1964) a técnica moderna não é algo neutro e passível controle. Mesmo apresentando leituras distintas sobre como a tecnologia interfere na ambiência, os três autores se distanciam de uma visão instrumentalista. Em “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”, publicado em 1935, Walter Benjamin afirma que a reprodutibilidade, isto é, a possibilidade de ampla multiplicação de uma obra, alterou de forma decisiva a arte, a cultura e a percepção do sujeito. Já Martin Heidegger, em “A questão da técnica”, de 1954, pontua que a Revolução Industrial provocou uma reinterpretação da técnica. Segundo o filósofo alemão, a tecnologia seleciona, captura, armazena e distribui os recursos da natureza em um constante processo que se auto-alimenta. Por fim, na década de 1960, Marshall McLuhan em “Os meios de comunicação como extensões do homem” defende que o conteúdo da mensagem é irremediavelmente modelado pelo meio que a difunde. Seja através da reprodução das obras de arte, da montagem e das formas de apresentação do cinema, da essência da técnica ou das mensagens propagadas pelos meios de comunicação, os teóricos se afastam da tradição filosófica ocidental de que tecnologia pode ser apreendida do ponto de vista do controle e da instrumentalidade.

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As discussões levantadas por Benjamin, Heidegger e McLuhan foram o ponto de partida para a pesquisa de Luís Camillo Almeida, chefe de departamento da Escola de Comunicação da Indiana University of Pennsylania. A partir do conceito de “produtividade robótica”, o professor aborda os efeitos das novas mídias no sistema cognitivo. Segundo ele o atual ambiente de conectividade conduz o sujeito contemporâneo a um comportamento robótico. Para Luís o interrupto contato do homem com a máquina, faz com que o sujeito passe a adotar e exigir de si mesmo níveis de eficiência, lógica e rapidez de um computador. “Quando você envia um comando para um computador, ele imediatamente te dá um comando de volta. O ser humano está adquirindo esse comportamento de máquina”, afirma. Entretanto, este ritmo de “produtividade robótica” não se concretiza, causando altos índices de ansiedade e estresse, que consequentemente, acabam desencadeando doenças psicossomáticas.

Suzana Herculano-Houzel, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, defende que as discussões sobre como a tecnologia afeta o sujeito cognitivamente também devem considerar a literacia midiática. Segundo ela o mau uso das novas mídias pode provocar déficits de memória e atenção. Mas se usada de uma maneira consciente e moderada, a tecnologia contribui significativamente para o desenvolvimento dessas faculdades.

Os estudos contemporâneos que se distanciam de uma visão instrumentalista da técnica apresentam pontos abrangentes que vão além da simples ‘causa e efeito’. Mostrando que questões como a literacia e os modos de uso das novas mídias são fundamentais para as discussões sobre as influencias do atual ecossistema de conectividade nos processos comunicativos.

Referências

ALMEIDA, Luís. Man To Machine: How To Reboot Your Humanity. Hongkiat, 2013. Disponível em: <http://www.hongkiat.com/blog/reboot-humanity&gt;. Acesso em: 23 ago. 2015.

ALMEIDA, Luís.Man or Machine. TEDxPhoenixville, 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=C3u2VasrA4M&gt;. Acesso em: 23 ago. 2015.

Herculano-Houzel, Suzana. A culpa não é da internet. Mente Cérebro – Psicologia, Psicanálise e Neurociência. São Paulo, Editora Segmento, 2013, ed. 102.

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