Código Cooperativo: Autoria em Tempos de Coletividade [Questão 09]

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A diluição das fronteiras entre autores e receptores é um dado concreto da era da convergência das mídias que ampliam a percepção dos produtos culturais ao permitir que os participantes, outrora consumidores de conteúdo, passem a trabalhar ativamente na construção de uma espinha dorsal que identifica e reconhece a atividade dos outros. Nesse sentido, o desafio está em promover uma sustentação coletiva que chancele a nova experiência ao mesmo tempo que consiga burlar a invisibilidade provocada pelo excesso de conteúdo disponível.

Nesse sentido, entender a recepção como um mecanismo de diálogo incorporado ao circuito produtivo, como propõe Arlindo Machado, é fundamental para perceber as transformações da mensagem tecnológica que, no intercurso de uma inteligência cooperativa que abrange desde a máquina ao engenheiro do software, passaria assim a fragmentar-se em uma mimese diferenciada a cada vez que fosse acessada.

No entanto, para que uma linguagem emergente consiga se internacionalizar como um ativador cultural é preciso que o código seja compartilhado a fim de estabelecer uma base comum entre os colaboradores – incluindo aqui também o consumidor que agora assume um papel dialógico – impulsionando assim a sua visibilidade.

Como comprova Ivana Bentes, ao analisar o hibridismo entre película e vídeo digital e as novas formas de significação cultural, a aceitação do movimento cinematográfico dinamarquês Dogma 95, por exemplo, com suas imagens sujas e técnica rígida, só foi possível a partir da cooperação entre diferentes diretores que optaram por acatar as regras do manifesto, que também eram conhecidas como “voto de castidade”, uma vez que limitavam a mise-en-scène cinematográfica.

Deste modo, abraçar a obra de arte de maneira autônoma, na contramão desse pensamento, é arriscar-se na atrofia da narrativa, valorizando um enunciado que, muitas vezes, confunde-se com a enunciação. Para Henry Jenkins, a nova noção de cultura é sustentada justamente pelo entendimento de uma “inteligência coletiva” que, ao invés de excluir o consumidor, sensibiliza-o através de uma multiplicidade de perspectivas.

Para entender o manifesto Dogma 95 e o sistema de inteligência coletiva no compartilhamento do código tecnológico:

REFERÊNCIAS

BENTES, Ivana. Vídeo e cinema: rupturas, reações e hibridismo. In: Arlindo Machado (org.). Made in Brasil: três décadas do vídeo brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural, 2003.

JENKINS, Henry. Cultura de convergência. Tradução: Suzana Alexandria. São Paulo: Aleph, 2006.

MACHADO, Arlindo. Máquina e imaginário: o desafio das poéticas tencnológicas. São Paul: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.

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