Inteligência Acumulada [Questão 10]

Ciencia-e-tecnologia-4_

Qual é o salto quântico que se efetua com a passagem das tecnologias electroeletrônicas, pré-era digital, para as tecnologias teleinformáticas da era digital?

Para desenvolver a questão acima é preciso, antes de mais nada, tomar como ponto de partida a convergência entre o pensamento de Lúcia Santaella e Martin Heidegger, no qual a tecnologia possui um saber incorporado que, para além do corpo humano, amplia o poderio deste ao ser capaz de dominar maquinicamente o conhecimento científico de técnicas específicas.

Nessa medida, é possível entender o salto quântico de que trata Santaella na passagem pré-digital/teleinformação, ao considerarmos que este saber incorporado é absoluto e cumulativo. Em outras palavras, os novos meios que surgem, as tecnologias teleinformáticas da era digital, não destroem o que foi produzido anteriormente, incorporando também o conhecimento inaugurado pelas tecnologias electroeletrônicas.

Essa assertiva nos permite pensar o ciberespaço como uma experiência estética e narrativa legitimada dentro do processo evolutivo da informação. Ora, se já no início do século XX, os romances, os filmes e peças teatrais desafiavam os limites lineares da linguagem, no sentido de propor novas experimentações, com enredos multiformes e interativos, nada mais natural do que pensar um futuro que abrace todas essas possibilidades em uma concepção de tempo simultâneo.

No entanto, em um primeiro momento, o choque provocado pelo surgimento dessa nova tecnologia, o impacto que ela provoca nos antigos meios, impede que compreendamos de imediato a acumulação sensória e cerebral desses dispositivos. Sendo assim, é somente em uma segunda oportunidade que seremos capazes de assimilar essa incorporação, tomando, enfim, os novos meios e linguagens como objetos de experimentação.

Nas vanguardas da arte cinematográfica, o filme A Felicidade Não Se Compra (It’s a Wonderful Life), de Frank Capra, já antecipava o cinema interativo do futuro, ao desenvolver seu argumento apoiado em múltiplas versões para a mesma história. Confira abaixo a cena final, onde o personagem de James Stewart, George Bailey, desiste das versões alternativas de sua narrativa para, finalmente, encarar a “vida real”:

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