Fantasia Essata

  1. A partir da leitura da seguinte passagem, discuta como o paradoxo mencionado na questão 3 está relacionado com o papel do artista.

“Sem a intervenção desse imaginário radical, as máquinas sucumbem nas mãos dos funcionários da produção, que não fazem senão preenchê-las com “conteúdos” de mídias anteriores, repetindo em linguagens novas soluções já cristalizadas em linguagens mais antigas.” (p. 28)

Na obra “Máquina e Imaginário”, Arlindo Machado (2001) discursa sobre a relação realizada entre tecnologia e arte, sendo estas análogas à um casamento marcado por períodos de harmonias e também crises conjugais (2001:24). Assim, Machado descreve tal união como longeva e antiga, apresentada desde as primeiras concepções de arte e tecnologia, cujo termo grego téchne abrangia a todas as práticas produtivas humanas, não excluindo, portanto, a artística.

Assim, encontramos, mesmo na arte contemporânea, processos de desconstrução do fazer artístico e do fazer científico, cujos limites se interceptam. Tanto a ciência quanto a tecnologia podem ser submetidas à processos estéticos, fornecendo ao sujeito espectador a capacidade de apreciação não somente do fazer artístico, como exemplificado pelo autor através da obra de Nam June Paik que, encabeçando o grupo Fluxus, destruiu aparelhos televisivos publicamente e desconstruiu suas funções tecnológicas à favor da arte e da contemplação estética. As distinções categóricas entre a imaginação artística, a investigação científica e a invenção tecno-industrial se tornam, como bem pontua o autor, além de difíceis, quase dissociáveis.

Tv Magnet - Nam June Paik

Tv Magnet – Nam June Paik

Por exercerem papéis sedutores, as máquinas deixam dúbia uma das questões principais elencadas por Machado nesta parte da obra: “é preciso, no entanto, saber distinguir o trabalho do verdadeiro criador, de um lado, e a tarefa do mero funcionário das máquinas, de outro.” (2001:14). Podem se compreender, na união entre arte e ciência, papéis distintos que necessitam ser desempenhados pelas duas partes, a fim de obter fluidez, contemplação e praticidade no produto final realizado entre elas.

Quando uma das duas deixa de exercer sua função, o conteúdo final não terá a capacidade de ser satisfatório. Como exemplo, Machado cita a indústria, que sozinha não preenche de conteúdo estas tecnologias, enriquecendo-as no universo cultural. Tal tarefa deve ser realizada pelos artistas, que operam as linguagens e reinventam as maneiras de diálogo entre arte e produto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s