As Maquinas Semióticas na Construção do Mundo

Em “Máquinas de imagens: uma questão de linha geral”, Dubois nos apresenta o conceito de máquinas semióticas. A principal tarefa destas máquinas é representação, e às vezes, processamento e produção de signos.”Em termos históricos, a produção de imagens sempre esteve associada a determinadas tecnologias.

Techné está associada à arte do fazer humano e, assim sendo, esta necessita de instrumentos (regras, processos, materiais, construções, peças) e de um funcionamento (processo, dinâmica, ação, agenciamento, jogo).” (Dubois, 2004:33)

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Em um primeiro momento, o pesquisador francês aborda o maquinismo-humanismo. Esta fase representaria o primeiro distanciamento do real. O homem passa a apenas apertar o botão e as câmeras escuras passam a trabalhar como uma prótese, o que alguns artistas critiquem a intervenção da indústria na arte.”A emergência deste tipo de imagem intensifica então o problema da atrofia do homem nas suas artes maquínicas, ou da hipertrofia da máquina na relação entre Sujeito e o Real.”

Mas, como o cinema não é apenas formado pelas imagens da câmera (completamos, damos sentido e interpretamos com nossos cérebros), ele parte para a abordagem do quesito semelhança-dessemelhança.”Não é mais a imagem que imita o mundo, é o “real” que passa a se assemelhar à imagem. […] Toda representação implica sempre, de uma maneira ou outra, uma dosagem entre semelhança e dessemelhança”.

“… passamos de um efeito de realismo (da ordem da estética da mimese) a um efeito de realidade (da ordem da fenomenologia do Real). […] A lógica do vestígio (o índice de acordo com Peirce) prevalece sobre a da mimese (o ícone). Assim, vemos que o ganho de analogia da imagem fotográfica é algo, no mínimo, relativo, e o deslizamento do realismo à realidade acaba por reduzir a importância do critério mimético.”

Em um último momento, Dubois analisa a questão materialidade-imaterialidade. O autor refere-se nos leva a pensar que a questão acompanha a evolução tecnológica. Ou seja, da pintura ás imagens digitais, presencia-se uma desmaterialização da imagem. A pintura e a fotografia apresentam uma materialidade diferente.”a foto é um objeto físico, que se pode pegar nas mãos, apalpar, triturar, carregar, dar, esconder, roubar, colecionar, tocar, acariciar, rasgar, queimar etc. […] É com o cinema que este caráter “objetal” da imagem vai se atenuar claramente, até quase desvanecer. Com efeito, a imagem cinematográfica pode ser considerada duplamente imaterial: de um lado, enquanto imagem refletida; de outro, enquanto imagem projetada. A imagem que vemos – ou que cremos ver – do filme na tela de cinema não passa, como se sabe, de um simples reflexo sobre uma tela branca de uma imagem vinda de outra parte (e invisível enquanto tal).”

 

 

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