O real enquanto representação da ficção

A obra “Cinema, Vídeo e Godard”, escrita por Philippe Dubois e apresentada por Arlindo Machado, é responsável por uma das mais notórias pesquisas sobre os direcionamentos do vídeo sob a ótica das obras cinematográficas realizadas pelo francês Jean-Luc Godard. Assim, são evidentes as mudanças pelas quais o cinema foi contemplado não só como a maneira de representação, as linhas narrativas, os planos e a mise-en-scène, mas transformando-o também esteticamente e tecnologicamente.

Na busca da reprodução do que não é visível ou se torna curioso, os meios de produção se apropriam de características do que se tem por natural, já que é a principal fonte reproduzível. Dubois faz uso da premissa de que quanto mais um sistema for capaz de imitar fielmente o real em sua aparência, mais ele suscitará a proliferação de pequenas formas que são capazes de desconstruí-lo.

Assim, pode-se entender que o mundo figurativo e a dimensão mimética da imagem fazem parte de uma problemática de ordem estética, nunca técnica. Não obstante, o dispositivo tecnológico ao qual a imagem é inserida não sobredetermina a imagem.

Na história do cinema, tanto o hollywoodiano, as animações norte-americanas e os primórdios do fazer cinematográfico de ficção fazem uso, com frequência, de personagens e cenários que fazem alusão ao universo romântico-fantasioso, passando de personagens de super heróis vindos de universos paralelos ou planetas distantes até o clássico de ficção científica “Le Voyage dans la Lune”, realizado por Georges Méliès no ano de 1902. O filme, em 14 minutos, baseou-se em dois romances literários conhecidos em seu tempo para narrar a história de astrônomos que viajam à lua em uma cápsula lançada por um canhão, lá, eles são capturados por habitantes do satélite natural. Os selenitas que capturaram os terráqueos assumem formas humanoides, partilham métodos de relação social ocidental e possuem, em seus respectivos planetas, sistemas físicos parecidos com as quais dispomos.

O espetáculo impalpável das imagens em movimento, segundo Dubois, bem como suas analogias, semelhanças e dessemelhanças e formas são interferências que afetam o mimetismo da representação.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s