A hibridização estética

Qual é a relação que pode ser estabelecida entre os textos de Arlindo Machado (Arte e Mídia), o conceito de Interestética de Priscila Arantes e a reflexão de mimesis tecnológica e interatividade de Bragança de Miranda?

Arlindo Machado lança a ideia da “divergência” e da “convergência” para exemplificar dois momento marcantes. No primeiro, a arte era marca pela sua relação com a estrutura na criação da obra, onde era visível a fotografia, cinema, televisão e o vídeo e, a relação de uma com a outra. Com o avançar da tecnologia essas barreiras que determinavam cada um foram diminuindo. No segundo momento, a interação entre os meios e técnicas aumentaram tanto que ao se observar uma arte não se tem mais o espaço demarcado de cada tecnologia, é uma arte convergente; as barreiras são bem tênues e muitas vezes imperceptíveis de onde termina uma técnica e começa outra.

Seguindo essa lógica Priscila Arantes propõe o conceito de interestética para referir-se a uma estética híbrida e à ideia de interface, como ideia de troca e fluxo de informações, de fronteiras compartilhadas.  Esse conceito possibilita pensar a estética contemporânea nas obras, pois a tecnologia e obra produzida por meio desta trocam informações e as barreiras que determinam qual a técnica aplicada em cada obra são cada vez mais inexistentes.

Quando Bragança de Miranda observa a arte, ele retira o olhar da obra e lança para a interatividade que há na criação. Partindo da bipolaridade arte e vida, Bragança lança Benjamin para apresentar a perspectiva que a vida não chegaria a arte, pois esta está composta de aura, mas a mesma perde a aura na reprodutibilidade técnica. A arte passou não mais acontecer somente nos museus e começa a ganhar outros espaços, e vice-versa, como Duchamp que leva o mictório para dentro do museu. A arte que antes representava o mundo passa a ser criada com a tecnologia e, desde então, a mimese tecnológica impera. Isso ocorre porque na criação por meio de um computador só utilizamos os recursos que a máquina nos oferece, só exploramos até onde ela nos permite. São os softwares disponíveis para a criação e compartilhamento da obra que regem o artista, por meio de uma interface.

Assim sendo, esses três autores dialogam ao pensar a arte contemporânea e seus processos híbridos. A relação que se instala entre a tecnologia, a arte e o artista é cada vez mais compartilhada e menos demarcada. A rigidez e a barreira não mais são tão visíveis e os campos se aproximam e se distanciam dada a situação proposta pelo artista.

Referências:

MIRANDA, José Bragança de. Da interactividade. Crítica da nova mimesis tecnológica In: Cláudia Giannetti (Ed.). Ars Telematica – Telecomunicação, Internet e Ciberspaço. Lisboa: Relógio d’Água Editores, 1998.

MACHADO, Arlindo. Arte e Mídia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.

ARANTES, Priscila. Arte e mídia: perspectivas da estética digital. São Paulo: Editora Senac, 2005.

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