InterArte

 

No esteio das teorias elencadas por Arlindo Machado (2010), juntamente do conceito de interestética (ARANTES, 2005) e mímesis tecnológica (MIRANDA, 1998), podemos compreender os rumos que contemporaneamente tomam as artes digitais diante da recente revolução tecnológica. De acordo com Machado (2010), as artes, principalmente após o advento da fotografia, passam a ser analisadas e elencadas de maneiras distintas. De tal forma, compreendem-se as divergências entre Fotografia, Cinema e Música, por exemplo. Tais campos, no entanto, se convergem nos diálogos estabelecidos entre os mesmos. Os novos meios, no entanto, passam por um processo de hibridização, que a partir da convergência, transitam com mais facilidade o ambiente digital, onde a adaptação ocorre de maneira mais fluida.

Em sua tese de doutorado, Priscila Arantes desenvolve o conceito de interestética, que pensa a estética no mundo contemporâneo, que atua não só de maneira híbrida mas também questiona noções pré-estabelecidas de interfaces e fronteiras entre conceitos que até então eram considerados opoentes. A noção de interface – a de explicitar a mensagem e propor um elo entre dois sistemas – aqui é concebida não só por essa premissa, como também por ir além de seu recurso técnico ao explicitar a mensagem e o conteúdo do trabalho em mídias digitais.

Através da desconstrução do fazer artístico no pós-modernismo, José Bragança de Miranda cita a arte tecnológica – posteriormente bendita como artes interativas – como “única arte possível”. O autor então considera o modelo de uma nova mímesis tecnológica, que seria capaz de determinar a técnica do mundo contemporâneo. As artes interativas, pois, seguem os rumos traçados durante a evolução artística e bebe da fonte da quebra dos paradigmas promovida pela vanguarda, enxergando o mundo de maneira estética e, como elucida Bragança de Miranda, reproduzindo-o de maneira técnica.

A nova revolução cultural sob a qual estamos submetidos, através dos adventos do pós-humano e das novas interatividades artísticas propõem novos parâmetros e olhares à respeito do fazer artístico, que além de se reinventar, desconstrói valores que até então eram sustentados pela estética da arte. As múltiplas interfaces, a mímesis tecnológica e a hibridização das artes tecem os novos parâmetros das artes na era digital.

 

Bibliografia
ARANTES, Priscila. @rte e mídia: perspectivas da estética digital. São Paulo: Editora Senac, 2005.
MACHADO, Arlindo. Arte e Mídia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010.
MIRANDA, José Bragança de. Da interactividade. Crítica da nova mimesis tecnológica In: Cláudia Giannetti (Ed.). Ars Telematica – Telecomunicação, Internet e Ciberspaço. Lisboa: Relógio d’Água Editores, 1998.
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