O corpo e suas diversas formas

No texto “O corpo biocibernético e o advento do pós-humano”, Lúcia Santaella se propõe a pensar o que é ser humano na entrada do século XXI. Para facilitar a compreensão do tema, as diversas formas em que o corpo está inserido foram apresentadas na seguinte categorização: corpo remodelado, corpo protético, corpo esquadrinhado, corpo plugado, imersão por conexão, imersão através de avatares, imersão híbrida, telepresença, ambientes virtuais, corpo simulado, corpo digitalizado e o corpo molecular.

Tomo um espaço aqui para falar um pouco do ciborg. Muitas vezes visto como algo muito tecnológico ou um robô, o ciborg já é real e se pararmos para analisar não é, necessariamente, algo novo e moderno. Na verdade todos nós somos ciborgues, por exemplo: aquele pino que o dentista colocou no seu dente; ou devido a um acidente de moto foi necessário o uso de uma prótese para caminhar. Toda tecnologia, por menor que seja, ao ser inserida no corpo humano o transforma em um ser ciborg. Um ser que mistura o cibernético com o organismo e ambos convivem em plena harmonia, completando as funções um do outro. McLuhan discutia esse tema ao abordar a tecnologia como extensão do homem.

Em todo esse processo evolutivo o corpo é afetado. Com a realidade virtual o corpo é levado a um nível elevado. Através da conexão com a máquina é possível entrar e sair do mundo real, ter um outro corpo no virtual e obter experiências que de outra maneira não viveria. Desde utilizar o Kinect para se conectar ao jogo e controlar o personagem; ou utilizar o simulador para ter um experiência de voo ou visitar um local não antes visitado; até a ideia da clonagem. São experiências tecnológicas que envolvem o corpo e alteram nossa forma de interagir e experimentar a tecnologia ao passo que altera nossa maneira de ser e enxergar o humano.

Santaella completa que “não obstante a complexidade do processo dessa construção, ela se sustentava sobre a ilusão de limites corporais mais ou menos estáveis. O descarnamento da subjetividade provocado pelas novas tecnologias tirou o chão dessa ilusão de estabilidade. […] O corpo humano está, de fato, sob interrogação.” (p. 207)

Referência [Aula 8]:

SANTAELLA, Lucia. “O corpo biocibernético e o advento do pós-humano.” Arte e Tecnologia na Cultura contemporânea, 2002.

McLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação: como extensões do homem. Editora Cultrix, 1974.

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