O humano no pós-humano [Iago e Marianna]

O corpo humano, entra em contato com objetos externos através da técnica com o intuito de se tornar cada vez mais apto à sobrevivência. Da era mítica à contemporânea, o corpo foi compreendido de maneiras distintas cada qual a partir da concepção de funcionamento de corpo a partir das maquinarias ou indumentárias vigentes. Deste modo, Santaella (2003) nos transporta para uma era decisiva na história da humanidade: a revolução digital, capaz de trazer consequências sociais, culturais e físico-cognitivas. Assim como Santaella, Laymert (2005) vê a integração do ser humano com as máquinas como um passo a diante na escala evolutiva. Se em “A Origem das espécies” a evolução do homem (e demais seres vivos) era abordado de modo biológico, no pós-humanismo, passamos a encará-lo como uma evolução tecnológica.

Em sua entrevista, Laymert cita as vias apresentadas pelo sociólogo Hermínio Martins. Na primeira, Martins compreende o pós-humano como o abandono, superação do humano como todo. O que, segundo o autor, representaria para Nietzsche a superação dos valores do homem em um futuro próximo. Na segunda, há a crença de que o ser humano utiliza a tecnologia e a tecnociência para se transformar, não se superar. Mas adiante existe ainda uma terceira linha de pensamento que considera que essas duas linhas constroem, ao lado da aceleração tecnocientífica e econômica, uma espécie de grande narrativa da obsolescência do humano e do futuro pós-humano.

As linhas de pensamentos apresentadas por Laymert confluem com o conceito de Santaella, que acredita que podem se compreender como pertencentes ao pós-humano os corpos que contam com tecnologias, aplicações, injeções ou junções que, junto do ser humano, alteram capacidades e faculdades. Ao corpo cibernético, dotado de partes artificiais e orgânicas, é atribuída a alcunha de ciborg (HARAWAY, 1985 in SANTAELLA, 2003, p. 185) que foi utilizado pela autora “dentro de uma retórica estratégica e de um método político”.

Antes disso, no entanto, Clines e Kline concebem o ciborg como “uma espécie de super-homem capaz de sobreviver em ambientes extraterrestres hostis” (SANTAELLA, 2003, p. 186). No imaginário fílmico, a primeira ciborgue representada no cinema americano foi Alienator, vivida por Teagan Clive no filme homônimo, de 1989. Na película, Kol é um bandido intergaláctico que, ao fugir para a terra, é perseguido por uma predadora ciborgue de aspecto ginoide. Hoje percebe-se influências do pós-humano não somente no âmbito midiático, mas também no meio artístico, cultural e social.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s