Análise do microssistema do Twitter (Dijck)

A partir das discussões de Bruno Latour, sobre a Teoria Ator-Rede, e de Manuel Castells, sobre a Sociedade em Rede, o autor José Van Dijck (2013) propõe que a análise das novas plataformas deve abranger os seguintes pontos: Ownership, Technology, Users/Usage, Content e Business Models. Diante desta estrutura posposta por Dijck (2013), iremos analisar o Twitter a partir de duas perspectivas: Tecnologia (Technology) e Usuários (Users/Usage).

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Tecnologia (Technology)

Lançado em 2006 por Jack Dorsey, Evan Willians e Biz Stone o objetivo inicial do Twitter era ser um espaço de encontro de amigos e familiares. A partir da pergunta “O que você está fazendo” os usuários compartilhavam suas ideias, e principalmente, suas amenidades cotidianas. Desde a sua estreia, a plataforma passou por uma série de mudanças e adaptações ao ambiente digital. O que antes soava como uma rede social descartável que só servia para publicar mensagens narcisistas sobre a rotina dos usuários, hoje possui dinâmicas de funcionamento e de troca de conteúdo que superam qualquer outra plataforma de compartilhamento (Facebook, Orkut, My Space, etc).

De acordo com pesquisa publicada pelo Infographic Labs (2012) o Twitter possui 465 milhões de usuários, e recebe diariamente 175 milhões de tweets e um milhão de novos usuários. Para o cofundador da rede social Jack Dorsey a forma como os usuários compreenderam e adotaram a linguagem do microblog foi fundamental para o seu sucesso, ou seja, no momento em que o sujeito passa a compartilhar o conteúdo de forma orgânica e a barreira entre ele a interface se dissolve.

Usuários (Users/Usage)

Além de dispor de uma temporalidade always on – como as demais Redes Sociais 3.0 – a plataforma possui características únicas. A interação e a formação de laços sociais no Twitter não é baseada em vínculos preexistentes, mas sim na penetração individual em fluxo de ideias, assim usuários que não são amigos podem interagir . Ao contrário do Facebook, o laço social entre os usuários do Twitter não é focado apenas em redes de relacionamento familiar, de amizade e/ou profissionais, mas principalmente na qualidade e no tipo de conteúdo postado. Ou seja, o fluxo informacional não depende dos contatos pessoais, mas de interesses em comum. Essa característica traz dinamicidade e pluralidade a timeline, pois o seu feed se expande.

Desta forma o sujeito passa a ter acesso às informações não apenas do seu âmbito social (família, amigos, conhecidos), mas de qualquer usuário do Twitter. O nó do laço social da plataforma é informacional, pois o que importa é o conteúdo e as ideias compartilhadas. Graças a essa arquitetura livre o usuário recebe um fluxo maior de informações e, consequentemente, corre mais risco de ser influenciado e/ou influenciar.

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