As Novas Mídias e O Dispositivo Cinema

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Ao abordar a forma cinematográfica e as transformações provocadas pelas novas tecnologias, André Parente propõe repensar o cinema a partir da noção de dispositivo, evitando a rigidez de conceitos técnicos, históricos e estéticos, sedimentados por uma teoria cinematográfica bastante tradicional. Nesse sentido, é preciso pensar o cinema não como um código fechado, mas como um aparato em constante reinvenção.

No dispositivo cinema há a convergência de três dimensões: a arquitetura da sala, que tem origem no teatro italiano e que garante as condições de projeção das imagens, a tecnologia de captação e distribuição dessas imagens e, por fim, a estética da forma narrativa que se relaciona com o desejo de imersão. Essas dimensões, no entanto, não guardam definições rígidas, moldando-se de maneira flexível a diferentes formas cinema a fim de garantir a fruição do conteúdo.

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Assim, levando em conta a nova subjetividade inaugurada pelas novas mídias e o impacto que isto opera no cinema, é preciso, antes de qualquer coisa, perguntar de que se cinema se trata. Afinal, enquanto existe uma tendência no cinema hollywoodiano em encobrir com sua forma dominante as demais formas cinema, as tecnologias e suas potencialidades criam pontos de cisão em relação ao modelo de representação instituído.

Promovendo esses deslocamentos, as novas mídias iluminam novas práxis cinematográficas em que o observador torna-se o centro da experiência. Do cinema expandido, onde a sala de projeção é reinventada e o processo híbrido entre mídias é radicalizado ao cinema interativo em que o usuário se encarna em uma espécie de co-autor da narrativa, o dispositivo deixa assim de ser encarado como um objeto para se tornar um espaço a ser explorado.

Dentro dessa perspectiva, o esforço de Jeffrey Shaw, artista atuante na media arts, é sintomático de uma necessidade de se romper a moldura que distancia o espectador, tentando afirmar a posição única de cada indivíduo diante da representação e transformando o cinema em uma experiência social, um universo próprio com pessoas integradas em rede.

Confira algumas instalações de Jeffrey Shaw:

Legible City (1988)

Golden Calf (1994)

Cúpula (2004)

 

 

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