Sand Loves, uma narrativa hipertextual

Em ‘Hypertext 3.0 – Critical Theory and New Media in an Era of Globalization’ (2006), George P. Landow afirma que o ciberespaço amplia a capacidade narrativa das histórias e também a imersão dos leitores/participantes. Porém, o autor destaca que nem toda narrativa presente no ambiente de conectividade pode ser classificada como hipertexto.

Neste sentido George P. Landow lista quatro características centrais das histórias em hipertexto (2006, p.217). O primeiro ponto se refere ao nível de interação do leitor, que é capaz de escolher, intervir e colaborar com a trama. O segundo ponto destacado pelo autor está relacionado com a constante combinação de linguagens presentes nas narrativas, que incluem não só links, mas imagens, vídeos e sons.

Já o terceiro ponto dialoga com a dinâmica dos plots. Ao contrário da estrutura narrativa convencional proposta por Aristóteles, em que os arcos temáticos eram encadeados seguindo a sequência de início, meio e fim. As narrativas hipertextuais apresentam uma ordem não linear e são pautadas por ramificações, se distanciando de uma estrutura estática. Isto é, o encadeamento dos fatos se da a partir das interações do leitor que percorre as lexias de acordo com a sua vontade. Por fim, George P. Landow afirma que as narrativas apresentam variação e multiplicidade de elementos literários. Além pautadas pelo agenciamento e hibridização de linguagens do ciberespaço, as tramas também exploram distintos gêneros e formatos.

Todos esses pontos discutidos pelo autor podem ser observados nas narrativas do ‘Eastgate’. Lançado em 1999, o site reúne vários textos e ajuda os autores indicando plataformas de desenvolvimento de narrativas hipertextuais, cursos de especialização, além de softwares que ajudam a organizar as lexias.

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Criada pela autora estadunidense Deena Larsen, a ‘Sand Loves’ está entre as tramas mais acessadas do ‘Eastgate’. A narrativa é composta por oito lexias: ‘Castles’,‘Wet buckets’, ‘Scrunching’, ‘Of beachsand’, ‘Squarely’, ‘And crabs’, ‘Toes forever’ e ‘Through our’ .

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A medida em que o interator passa o cursor do mouse pelo texto as palavras se ampliam, oferecendo novos caminhos da trama. Além dos links, Larsen usa sons e imagens para contar as histórias que compõem o Castelo de Areia. A trama também conta com um espaço colaborativo, em que os leitores podem incluir novas definições para as palavras do texto. Neste sentido, podemos afirmar que ‘Sand Loves‘ apresenta todos os pontos destacados por  George P. Landow, mostrando que as narrativas hipertextuais inauguram novas formas criação e imersão das histórias.

 

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